Avançar para o conteúdo principal

Das coisas que me confundem

Em tempos menos bons passei por fases depressivas muito complicadas. O meu problema é antigo e teria solução se há 21 anos atrás os tempos fossem outros. Ninguém diria que aos 9 anos nós pudéssemos ter depressões e muito menos há 21 anos atrás quando esse assunto era 'coisas de malucos' e eu não era maluca, só era meio parvinha.

Enfim, nesses tempos menos bons eu passei por fases em que planeava a minha morte, assim algo brutal e sem solução médica. Planeava isto detalhadamente até ao dia em que não era capaz de o fazer. Levei assim muitos anos, podemos dizer que foi a minha vitória pessoal ter superado isso ao longo dos anos sozinha. No entanto, aos 27 (aqueles que achava que seriam o marco da minha vida em coisas boas), deixei-me apanhar forte e feio pelo bicho papão da depressão, já não me sentia como me senti há muitos anos atrás. É uma sensação de impotência na nossa vida, não somos seguidos pela vida com gosto e prazer, só vemos as coisas más a absorverem o que resta de nós e não sobra nada. Eu deixei-me enveredar por esses caminhos sombrios e pensei vezes sem conta acabar com tudo, nem por sombra de dúvida pensei em levar alguém comigo. Sempre pensei, se acabar com isto será sozinha. 
O que me confunde é como é que alguém que só pode estar depressivo para não ver a luz ao fundo túnel resolve acabar com a sua vida e leva a de alguém que deveria de amar mais que a si próprio. Confunde-me horrores matarem um filho seja porque motivo for. 

Se um dia tiver filhos, algo em que não acredito muito, o meu filho será a minha vida. O bem estar dele será a minha prioridade e se eu não for capaz de lhe dar isso, tenho a certeza absoluta que alguém na minha família o fará.

A depressão não tem cura assim muito facilmente, é um bicho papão que vai e volta e nem damos por isso, mas antes de mim estão todos os outros que amo e nunca seria capaz de fazer mal a alguém que amo, muito menos um filho.

Comentários

  1. Temos mesmo de nos agarrar a quem gosta de nós, nestas fases difíceis.

    ResponderEliminar
  2. Mudaste de blogue e não avisas??? Ai ai ai que isso não se faz!
    Welcome back! ;)

    ResponderEliminar
  3. Também me confunde e muito essa história de acabarem com a sua vida e com a dos filhos... alguém há-de cá ficar para tomar conta deles, nem que seja numa instituição... agora não consigo entender como é possivel acabar com a vida de uma criança... acho demasiado egoismo!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Agora sim, vou ficar louca!

Eu pensava que era o trabalho que me ia levar à loucura. Que mais dois meses e estava internada no Júlio de Matos. Mas enganei-me. Estar em casa de cú para o ar sem ter de me preocupar com nada é que me vai levar à loucura.  O que me dizem é:'ah  tal tu só estás de férias há dois dias...vais arranjar alguma coisa e tal e tal'. Gente eu andava a mil, era contratar pessoas, era formar pessoas, era programar cuponeio, era ver cuponeio, era mandar 1500 mails com a mesma informação, era ligar ao departamento tal por causa disto e daquilo, era um acidente que acontecia e mais do mesmo, eram tretas e tretas e agora não há nada... E se eu não arranjar emprego fico um ser imprestável para o resto da vida!!!!

Despedi-me e agora?!?

Hoje foi o dia. Trabalho na mesma empresa há metade dos anos que tenho de vida e cheguei ao fim da linha. Não entendo como as empresas tratam os funcionários, foram anos de ameaças(que nunca passaram de ameaças), foram anos de exploração (consentida), foram anos de pressão desmedida, foram anos de exigência controladora e foram anos que perdi da minha vida.  Levo comigo uma aprendizagem para a vida, um esgotamento nervoso e uma depressão. Levo comigo no coração as mais de 800 pessoas que conheci, que me aturaram e que partilharam um pouco delas comigo. Agora não sei bem o que fazer, nunca procurei trabalho, nem sei bem o que sei fazer, nem sei bem para que serve a minha licenciatura...não sei de nada. Só tenho uma certeza, melhores tempos virão...

A metade da laranja, ou a tampa da panela, ou o raio que o parta!

Quando se chega a uma certa idade temos uma pressão descomunal de toda a sociedade, familiares, amigos casados ou amantizados, para que faças o mesmo.
Fui a um casamento em que a única pessoa sem acompanhante era eu e a minha sobrinha. Salvou-se o barman versus handyman que era lindo de morrer, super simpático e que fizemos amizade para a vida ou para a próxima semana vá.
Hoje, no segundo dia do casamento já diziam que nós vamos casar. Não nos vamos casar de certeza e vou continuar solteira por uns bons tempos, mas que há vontade para nos conhecermos melhor lá isso há.
E sinto que de um momento para o outro tudo está a mudar e estou a gostar da mudança.