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A coisa está feia para estes lados

O pânico é geral. Não parece de todo aquele paraíso a que estamos habituados. São brás de Alportel está em alerta amarelo, a casa da minha irmã está mal situada, pois está pertinho das chamas que por sinal (diz ela, que não é entendida na matéria) estão mais calmas e só rezamos para que o vento não levante e não mude de direcção. Ela conhece pessoas que perderam tudo durante a noite.
É demasiado triste e horrivel. Neste momento só nos resta rezar a um Deus para que nos ajude e para que os bombeiros (abençoados senhores) consigam fazer o milagre de controlar a coisa. Já se houve por aí que presidentes apelam a que seja considerada calamidade pública.
O que pergunto é: como é que há pessoas que sentem prazer nisto? Como conseguem pegar fogo ao que quer que seja e virar as costas sem pensar nas consequências? O que ganham com a desgraça dos outros?
Há pessoas mesmo más, crueis e insensiveis e não me venham dizer que são pessoas com problemas psicológicos e tretas dessas porque hoje não é isso que me apetece ouvir. Hoje não estou compreensiva.

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Agora sim, vou ficar louca!

Eu pensava que era o trabalho que me ia levar à loucura. Que mais dois meses e estava internada no Júlio de Matos. Mas enganei-me. Estar em casa de cú para o ar sem ter de me preocupar com nada é que me vai levar à loucura.  O que me dizem é:'ah  tal tu só estás de férias há dois dias...vais arranjar alguma coisa e tal e tal'. Gente eu andava a mil, era contratar pessoas, era formar pessoas, era programar cuponeio, era ver cuponeio, era mandar 1500 mails com a mesma informação, era ligar ao departamento tal por causa disto e daquilo, era um acidente que acontecia e mais do mesmo, eram tretas e tretas e agora não há nada... E se eu não arranjar emprego fico um ser imprestável para o resto da vida!!!!

Despedi-me e agora?!?

Hoje foi o dia. Trabalho na mesma empresa há metade dos anos que tenho de vida e cheguei ao fim da linha. Não entendo como as empresas tratam os funcionários, foram anos de ameaças(que nunca passaram de ameaças), foram anos de exploração (consentida), foram anos de pressão desmedida, foram anos de exigência controladora e foram anos que perdi da minha vida.  Levo comigo uma aprendizagem para a vida, um esgotamento nervoso e uma depressão. Levo comigo no coração as mais de 800 pessoas que conheci, que me aturaram e que partilharam um pouco delas comigo. Agora não sei bem o que fazer, nunca procurei trabalho, nem sei bem o que sei fazer, nem sei bem para que serve a minha licenciatura...não sei de nada. Só tenho uma certeza, melhores tempos virão...

A metade da laranja, ou a tampa da panela, ou o raio que o parta!

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