'Foi uma das maiores invenções da historia, curiosamente, não consta dos manuais como tal. «Intervalo». «Pause». «Stand by». Não há aparelho tecnologicamente sofisticado que não venha programado com estas definições. Se olharmos à nossa volta, há intervalos para quase tudo. Nas aulas, no cinema, no teatro, na matemática, na música... Quantas vezes, peguei no comando da televisão e pensei: «Que jeito dava se eu tivesse nascido com estas teclas de uso fácil, à distância de um clic». Quantas vezes já me apeteceu pendurar uma placa nas costas a dizer:« Fechada para reflexão interna. Não incomode». Ou, » Estou em modo stand-by . Mantenha uma distância de segurança e por favor não me interrompa com perguntas idiotas». Diriam que perdi o juízo, mas acredito que já todos sentimos, aqui e ali, vontade de parar, de fazer um intervalo na nossa vida e fazer um pause na nossa história pessoal. Como se no momento em que virtualmente voltássemos a carregar no start os problemas e os dramas que nos atormentam se tivessem dissipado, como areia após uma rajada de vento.
A má noticia é que não vivemos programados com nenhuma dessas teclas e, na ausência desta tecnologia interna, às vezes entramos em colapso. E apetece-nos desistir, como se morrer fosse o único pause possível ou como se fosse um intervalo libertador para as ondas de tristeza em que nos deixamos mergulhar. A boa noticia é que tudo na vida é impermanência. O bom e o mau. e até os dias mais sombrios são apenas isso. Dias sombrios. e um dia farão parte do passado.'
Este texto diz-me tanta mas tanta coisa que ninguém imagina. Já senti na pele a vontade de fazer um pause ou um intervalo na vida mas ainda bem que encontrei sempre um dia em que o sol brilha com mais força e me mostra o caminho a seguir...
*editorial da revista Happy do mês de Fevereiro de 2011, Cláudia Ramos, Directora
